Construção de uma comunidade

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Começamos o BitcoinPOA para falar sobre Bitcoin, Altcoins, Criptomoedas e por fim, o que mais a tecnologia Blockchain nos reservasse. Isso se deu em meio a um curso de extensão ministrado pela Edelweis, na PUCRS, em outubro de 2017.

O grupo cresceu na mesma velocidade que o preço do Bitcoin naquele mesmo final de ano. E isso nos tornou arrogantes, pois nada fizemos para o seu crescimento, e mesmo assim ele aconteceu.

No texto de Wylinka, alguns apontamentos são feitos, os quais precisamos refletir:

Há muito interesse, seja por parte de governos, agentes beneficiados ou empreendedores, em que se construam comunidades de startups no Brasil. O motivo é simples: uma comunidade vibrante organiza melhor seus recursos, e como tem-se na teoria da Visão Baseada em Recursos — uma das mais clássicas em empreendedorismo, um bom empreendedor é aquele que consegue organizar em torno de si uma boa gama de recursos para explorar oportunidades. Bons ecossistemas de empreendedorismo são aqueles que possuem agentes bem articulados e cuja troca de recursos ocorre de maneira fluida e saudável, e isso não ocorre com tanta facilidade. Na conferência, alguns tópicos foram discutidos sobre construção de comunidades, tais como:
(a) Boulder Thesis: A “tese de boulder” é uma abordagem proposta por Brad Feld em seu ótimo livro “Startup Communities”, no qual o mesmo aponta a sua tese sobre os pilares para se desenvolver uma comunidade de startups — (i) ela deve ser liderada por empreendedores, não por políticos, empresários, aceleradoras, fundos ou qualquer outro. Aqui, empreendedores são os “leaders”, ao passo que esses outros agentes são os “feeders”, e quando essa ordem ocorre de maneira contrária, problemas acontecem. (ii) deve haver compromisso de longo prazo, e por longo prazo entende-se 20 anos. Sim, 20 anos. A construção das redes de apoio, o amadurecimento dos empreendedores e dos outros agentes, a descoberta das vocações das organizações etc. ocorre de maneira lenta, e Brad Feld reforça que é preciso entender esse esforço de longo prazo e ter paciência/resiliência. (iii) deve ser inclusiva. Pois é, sabe aquela panelinha de empreendedores, ou de aceleradoras, ou de qualquer outro corpo que somente privilegia os seus, sobe barreiras para com outros e vive de críticas/mimimi contra o outro? Eles não leram o livro. Você pode se perguntar — mas e como se proteger dos aproveitadores? A resposta de Feld é simples: dê trabalho a eles. Ecossistemas são feitos de gente trabalhando duro — dê trabalho a eles e eles, se quiserem só se aproveitar, se esquivarão. No longo prazo, tais comportamentos imaturos por parte de alguns indivíduos também farão parte do processo de aprendizado do ecossistema, e isso faz parte do amadurecimento de uma comunidade. (iv) precisa de uma atmosfera vibrante. Eventos, aceleradoras, universidades ativas, coworkings — todos esses elementos compõem um esforço de engajamento da comunidade para a construção de uma atmosfera vibrante, e, para o autor, isso é fundamental para incentivar conexões e aquecer um ecossistema.

Os 4 pontos destacados mostram os pilares de uma comunidade, e o BitcoinPOA não nasceu despretensiosamente. Quando ele nasceu, já vinha de uma ideia sendo fervilhada meses atrás, o qual se transformou nisso aqui, no CNID.

Tivemos a nossa primeira reunião no dia 03 de novembro de 2017, com o fim de realizar uma organização estrutural da comunidade, e apresentamos um plano inicial, o encontro se deu na Sociedade Libanesa, contamos com cerca de vinte pessoas das mais variadas, e até a presença do Jornal do Comércio.

Saímos desse encontro com um grupo querendo fazer a diferença, querendo fazer parte, e com a promessa de realizar um grande evento logo de cara, mas a data não favoreceu, ainda estávamos crus demais, com poucos contatos e uma comunidade muito recente. O primeiro evento foi cancelado.

2018 entrou com uma baita baixa no Bitcoin, e decidimos ser humildões. Organizamos 4 Meetups nos salões de festas de amigos, cada encontro sempre contando com 3 palestrantes de altíssimo nível, mas nada que superasse o encontro pessoal nisso que se formava e se iniciava, acompanhado de uma boa cerveja, um churrasco ou uma pizza.

O nosso 5º encontro foi frustrado pelas eleições, que tomaram as atenções de todo o país, e o 6º encontro que seria voltado a Agrotech foi cancelado na mesma pegada, pois não sustentou a organização que demandava ainda mais da equipe. Desde outubro de 2018, portanto, fechando o primeiro ciclo de um ano, pudemos parar um pouco e aproveitar a parada natural que o brasileiro faz ao final do ano para avaliar e refletir.

Alguns pontos foram levantados nessas reflexões de final de ciclo: (i) o nome CNID repassa a ideia do que somos? (ii) queremos trabalhar dentro de uma lógica de escassez ou de abundância? (iii) essa mesma lógica tem conexão com a ideologia das criptomoedas de comunidade distribuída? (iv) ainda nesta mesma linha, faz sentido trabalharmos sem transparência, ou devemos buscar uma questão mais open source? (v) como podemos trazer a comunidade para dentro e trabalharmos todos juntos?

E exatamente estas questões estão nos movendo em realizarmos algumas mudanças, como a nossa marca, que passaremos a adotar em breve o nome Go HUB. Assim como o convite feito as mulheres do nosso grupo para que se juntem, e já temos o Go HUB TODAS a todo vapor! Também o trabalho para em breve iniciarmos encontros em Uberlândia, com o Go HUB UDI. E com isso a gente entendeu que a nossa ideia é abrir para o mundo, abrir capítulos, abrir grupos, e o nosso BitcoinPOA passará a ser um grupo dentro do Go HUB.

Mas queremos saber de ti, como você acha que pode fazer parte disso tudo? Venha conversar conosco!


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Ele abomina títulos, mas os uso pois resume bem nas minibiografias. Assim, é Capitão do Centro, Mestrando em Direito Europeu e Alemão pela UFRGS e Advogado. Nem sempre esteve próximo da tecnologia, mas seu primeiro contato foi aos 9 anos, quando iniciou os estudos em C e C+, programando jogos e sites - inclusive este. Ele, também, já morou no Brasil inteiro, e no exterior, tornando o seu sotaque irreconhecível de se distinguir a origem.